Astigmatismo é uma condição em que a córnea ou o cristalino têm um formato levemente irregular, fazendo a luz se espalhar em vez de focar num único ponto da retina. O resultado é uma visão desfocada, tanto de perto quanto de longe, afeta cerca de 30% da população mundial, sendo um dos erros de refração mais comuns entre adultos.
Não é uma doença nem algo contagioso — é um erro de refração, assim como a miopia e a hipermetropia, que costumam aparecer junto com ele. Também não piora nem melhora dependendo de hábito de leitura ou distância da tela, ao contrário do que muita gente pensa. O que muda o grau, na maioria dos casos, é apenas a curvatura natural do olho ao longo da vida.
Já tem a receita e precisa montar os óculos? Conheça as opções de óculos de grau da Óticas Teixeira, com lentes para todos os graus de astigmatismo.
O que é astigmatismo
Um estudo com 21.940 pacientes de um serviço oftalmológico privado em Florianópolis encontrou astigmatismo em 47,6% dos olhos analisados, segundo dados publicados na Revista Brasileira de Oftalmologia. É um número que mostra como a condição é comum em consultórios de todo o país, não uma exceção.
Na prática, quem trabalha há décadas montando óculos percebe algo que os números não mostram sozinhos: o astigmatismo quase nunca aparece isolado. Na maioria das vezes ele vem acompanhado de miopia ou hipermetropia, e é essa combinação — não o astigmatismo puro — que faz a receita parecer “complicada” para quem está lendo pela primeira vez.
Isso acontece porque o olho humano raramente é uma esfera perfeita. Pequenas variações na curvatura da córnea já bastam para desviar o foco da luz. Quando essa curvatura lembra mais uma bola de rúgbi do que uma bola de futebol, a imagem chega distorcida à retina — e é isso que o cérebro interpreta como visão embaçada ou “dupla”.
Sintomas de astigmatismo: o que costuma incomodar no dia a dia
Visão embaçada tanto de perto quanto de longe é o sintoma mais citado por quem tem astigmatismo, muitas vezes acompanhado de cansaço visual depois de ler ou usar telas por muito tempo. Nenhum desses sinais, isoladamente, confirma o diagnóstico — eles só indicam que vale a pena investigar.
Além da visão embaçada, é comum relatar dor de cabeça no fim do dia, sensação de olhos cansados ou “pesados” e dificuldade para enxergar bem à noite, com halos ao redor de luzes. Muita gente também precisa apertar os olhos para ler placas ou letras pequenas, o que gera ainda mais fadiga muscular ao redor dos olhos.
Esses sintomas podem ser sinal de astigmatismo, mas também aparecem em outros problemas de visão ou até em causas sem relação nenhuma com os olhos.
Dirigir à noite costuma ser um dos momentos em que o astigmatismo incomoda mais, por causa dos halos e do brilho espalhado das luzes de outros carros. Muita gente relata evitar estradas escuras ou viagens noturnas sem nem associar o desconforto à visão — e acaba se acostumando com uma limitação que, na maioria dos casos, tem correção simples.
Causas do astigmatismo: por que a córnea muda de formato
No Brasil, estima-se que o astigmatismo atinja cerca de 60% da população — bem acima da média mundial —, segundo levantamento da Abióptica que aponta cerca de 20 milhões de brasileiros com a condição. Ainda não há um consenso fechado sobre por que a prevalência varia tanto entre países.
A causa mais comum é genética: se pai ou mãe tem astigmatismo, os filhos têm mais chance de desenvolver a mesma condição, porque a curvatura da córnea é, em boa parte, uma característica herdada. Isso explica por que o astigmatismo costuma aparecer já na infância e acompanhar a pessoa a vida inteira, com o grau podendo mudar ao longo dos anos.
Outras causas incluem traumas oculares, cirurgias anteriores nos olhos e, em casos mais raros, uma condição chamada ceratocone, em que a córnea afina e se projeta para frente de forma progressiva.
Com o passar dos anos, a curvatura da córnea também pode sofrer pequenas mudanças naturais, o que explica por que uma receita que serviu bem por anos, de repente, deixa de funcionar direito. Isso não significa que algo deu errado — é parte do processo natural de envelhecimento do olho, e é justamente por isso que exames periódicos são recomendados mesmo para quem já usa óculos há bastante tempo.
Como corrigir o astigmatismo: óculos e cirurgia
A forma mais tradicional e mais usada de corrigir astigmatismo continua sendo o óculos de grau, com lentes cilíndricas que compensam exatamente a curvatura irregular da córnea, no grau e no eixo indicados pelo oftalmologista. É também a opção mais indicada para quem tem contraindicação a cirurgia.
Um detalhe que passa despercebido: para quem já usa óculos multifocais depois dos 40 ou 45 anos, o astigmatismo torna a montagem mais delicada, porque a lente precisa corrigir simultaneamente três coisas — miopia ou hipermetropia, o eixo do astigmatismo e a presbiopia. É por isso que marcas como Hoya, Optview, Prime, Varilux, Zeiss e Kodak investem tanto em lentes de alta precisão para esse público: a margem de erro na montagem é bem menor do que numa lente simples.
Na hora de montar o óculos, alguns tratamentos de lente fazem diferença real no conforto de quem tem astigmatismo. O antirreflexo reduz o brilho de faróis e telas à noite — justamente o tipo de desconforto que esse grupo costuma sentir mais —, e lentes fotossensíveis ajudam quem tem sensibilidade à luz forte do sol de Salvador no dia a dia.
É normal levar alguns dias para o olho se acostumar com uma lente nova de astigmatismo, especialmente se o grau ou o eixo mudou bastante desde a última receita. Sensação leve de balanço ou linhas retas parecendo curvas nos primeiros dias costuma passar sozinha; se persistir por mais de uma ou duas semanas, vale conferir a montagem com quem fez o óculos.
Independente do caminho escolhido, a receita atualizada é o ponto de partida. Sem ela, nenhuma ótica consegue montar um óculos que realmente corrija a visão — é a receita que define o grau, o eixo e o tipo de lente mais indicado para cada caso.
Perguntas frequentes sobre astigmatismo
Astigmatismo tem cura?
Não existe cura definitiva para o astigmatismo, mas ele tem tratamento eficaz. O óculos de grau controla os sintomas com bons resultados, e a cirurgia refrativa, indicada em casos selecionados, pode reduzir bastante ou eliminar a dependência de correção, segundo oftalmologistas.
Astigmatismo pode piorar com o tempo?
Sim, o grau pode mudar ao longo da vida, principalmente na infância e entre os 35 e 60 anos, quando a presbiopia costuma surgir. Por isso, a recomendação geral é repetir o exame de vista a cada um ou dois anos, mesmo sem sintomas novos.
Quem tem astigmatismo pode usar qualquer óculos de sol?
Não exatamente — óculos de sol sem grau não corrigem o astigmatismo, mesmo com boa proteção UV. Quem tem grau prescrito precisa de lente solar com a correção certa, senão a sensação de desconforto visual continua mesmo usando óculos escuros de boa qualidade.
Criança pode ter astigmatismo?
Sim, e é bastante comum: astigmatismo costuma ter origem genética e aparecer já nos primeiros anos de vida. Como criança nem sempre percebe ou consegue explicar a visão embaçada, exames de vistas regulares na infância são a forma mais confiável de identificar o problema cedo.